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Matriz DOK: o guia para entender a complexidade de cada questão

O que é a Depth of Knowledge, por que complexidade não é dificuldade e como usar os quatro níveis de Webb nas provas e ao criar questões com IA no Gobarito.

18 min de leitura

Em resumo

  • A DOK classifica o tipo de raciocínio que uma questão, tarefa ou objetivo de aprendizagem exige, em quatro níveis: lembrar, aplicar conceitos, pensar estrategicamente e pensar de forma estendida.
  • Complexidade não é dificuldade: uma questão pode ser trabalhosa e, mesmo assim, pedir só memória ou um procedimento conhecido.
  • Não classifique pelo verbo: “descrever” ou “explicar” pode ser nível 1 ou nível 3, dependendo do que o aluno precisa fazer para responder.
  • Nenhum nível é melhor que outro, e a aprendizagem não precisa seguir do 1 ao 4 em ordem.
Neste artigo
  1. De onde veio a DOK e para que ela serve
  2. Complexidade não é dificuldade
  3. Nível 1: lembrar e reproduzir
  4. Nível 2: usar habilidades e conceitos
  5. Nível 3: pensamento estratégico
  6. Nível 4: pensamento estendido
  7. O que a DOK é, e o que ela não é
  8. Como classificar uma questão: as regras oficiais
  9. Cinco cuidados para usar a DOK na escola
  10. Como a DOK entra na rotina da escola
  11. Crie questões com IA por nível DOK no Gobarito
  12. DOK em Ciências: o caso dos padrões NGSS
  13. Os documentos oficiais, um a um

Você já corrigiu uma prova inteira com a sensação de que ela só mediu quem decorou melhor? Ou montou uma atividade que parecia desafiadora, mas a turma resolveu no automático? A matriz DOK (sigla em inglês de Depth of Knowledge, ou Profundidade do Conhecimento) existe justamente para ajudar a enxergar isso com clareza.

Ela dá nome ao tipo de raciocínio que uma questão, uma tarefa ou um objetivo de aprendizagem exige do estudante. Com esse vocabulário em comum, professores, coordenação e quem produz material didático conseguem falar da mesma coisa e conferir se a prova cobra o que o currículo promete.

Este guia foi montado a partir dos documentos oficiais da WebbAlign, o programa que trabalha diretamente com o criador da DOK, o pesquisador Norman Webb. Todos estão em inglês: aqui você encontra os conceitos traduzidos e explicados, com os exemplos que os próprios documentos trazem. Você também vê como escolher o nível DOK ao criar questões com IA no Gobarito e, no fim, a lista de cada PDF com o que ele contém.

De onde veio a DOK e para que ela serve

Norman Webb criou a DOK para avaliar a relação entre a complexidade dos standards e a complexidade das questões usadas para avaliá-los. Standards são os documentos que definem o que os alunos devem aprender; no Brasil, esse papel é da BNCC e dos currículos das redes. A pergunta original era direta: a prova cobra o mesmo tipo de raciocínio que o currículo espera?

Com o tempo, o uso foi muito além disso. Hoje, nos Estados Unidos, a DOK é usada por redes de ensino, secretarias estaduais de educação, elaboradores de avaliações e editoras para alinhar todo tipo de material educacional: objetivos de aprendizagem, tarefas, enunciados, perguntas e provas.

A ideia de fundo é a coerência. Os objetivos de aprendizagem variam em complexidade, e essa complexidade precisa aparecer em todas as partes do sistema: no currículo, nas oportunidades de aprendizagem e nas avaliações. Segundo a WebbAlign, usada do jeito certo, a DOK ajuda a planejar o ensino e a produzir materiais que provoquem um pensamento tão exigente quanto o que está previsto nos objetivos correspondentes.

Um detalhe de nomenclatura: os documentos falam ora em “níveis”, ora em “categorias” de DOK. O de Ciências, revisado em 2019, usa o nome Categorias de Engajamento Cognitivo. Neste guia, as duas palavras significam a mesma coisa.

Quem publica esses materiais é a WebbAlign, um programa do Wisconsin Center for Education Products and Services (WCEPS), organização sem fins lucrativos ligada à Universidade de Wisconsin-Madison. Webb é pesquisador sênior emérito do centro de pesquisa em educação da mesma universidade.

Complexidade não é dificuldade

Esse é o conceito central da DOK, e o que mais confunde. A DOK não pergunta se a questão é fácil ou difícil. Ela pergunta que tipo de raciocínio o aluno precisa fazer para chegar à resposta certa.

Uma tarefa pode ser trabalhosa, exigir tempo e esforço para aprender e, mesmo assim, pedir só memória ou um procedimento conhecido. Os documentos oficiais dão vários exemplos:

  • Fazer uma divisão longa ou calcular a média e a mediana é seguir um procedimento bem definido de várias etapas: nível 1.
  • No Ensino Médio, resolver uma equação do segundo grau ou um sistema de duas equações com os métodos ensinados (fatoração, substituição, eliminação) também é considerado rotina, portanto nível 1.
  • Em Ciências, medir um comprimento, usar uma balança ou completar um quadro de Punnett básico são procedimentos de rotina: nível 1.

O documento de Ciências resume assim: as expectativas de nível 1, embora não sejam complexas, podem ser difíceis e exigir tempo e esforço para aprender. Ele também separa a complexidade de outros fatores, como a carga cognitiva e a sofisticação do pensamento, que importam, mas são outra coisa.

E há um caso que engana muita gente: uma questão confusa, por erro ou por redação ruim, não fica mais complexa. Ela só precisa ser revisada.

Por que essa distinção importa tanto? Porque ela orienta como apoiar quem está com dificuldade. A recomendação oficial é manter a complexidade e ajustar a dificuldade, e não trocar a tarefa que pede raciocínio por uma que só pede memória.

Nível 1: lembrar e reproduzir

O nível 1 é o da lembrança de informações (um fato, uma definição, um termo) e da reprodução de um procedimento simples e rotineiro, como aplicar uma fórmula conhecida. O documento de Matemática diz de um jeito bem claro: diante de uma questão de nível 1, o aluno sabe a resposta ou não sabe. Não há nada a “descobrir” ou resolver.

Exemplos que os documentos trazem, por área:

  • Matemática: arredondar um número; fazer uma conta de uma etapa; ler um dado diretamente num gráfico; marcar pontos no plano cartesiano; resolver um problema em que uma palavra-chave já indica a operação.
  • Leitura: decodificar palavras e juntar fonemas; ler em voz alta com compreensão básica; responder perguntas sobre o que está explícito no texto; usar o dicionário para achar o significado de uma palavra; reconhecer linguagem figurada.
  • Ciências: ler uma informação na tabela periódica; seguir um protocolo; completar o diagrama do ciclo da água com os termos corretos; ler ou acrescentar setas numa teia alimentar.
  • Ciências Humanas: lembrar quem, o quê, quando e onde; identificar uma informação num mapa, tabela ou gráfico; listar ou definir.

Nível 1 não é “ruim”. Saber usar instrumentos de medida, lembrar protocolos de segurança e dominar o vocabulário da disciplina faz parte da aprendizagem, e os alunos podem precisar ganhar fluência nisso. O cuidado é outro: não deixar que esse seja o único tipo de pensamento que a escola ensina e cobra.

Nível 2: usar habilidades e conceitos

No nível 2, o aluno precisa ir além de uma resposta automática. Ele faz algum processamento mental e toma decisões sobre como abordar o problema. É aqui que entra a compreensão de conceitos: o conhecimento deixa de ser isolado e passa a ser usado num contexto. O documento de Estudos Sociais chama esse nível de raciocínio básico.

  • Matemática: a partir de um enunciado, montar a equação, resolver e responder no contexto do problema; interpretar a média de um conjunto de dados ou comparar dois conjuntos (calcular a média é nível 1, interpretá-la é nível 2); representar uma conta de formas diferentes para explicar o resultado; explicar com suas palavras por que usou uma propriedade. Até na Educação Infantil há trabalho de nível 2: comparar dois grupos de objetos formando pares para ver qual tem mais.
  • Leitura: resumir ideias principais, características de personagens, enredo e tema; acompanhar relações de causa e efeito; distinguir fato de opinião; explicar diferenças entre gêneros; usar pistas do contexto para entender uma palavra desconhecida; prever um desfecho lógico.
  • Ciências: explicar com suas palavras a relação entre ideias ou variáveis; organizar dados em tabelas e gráficos para mostrar padrões; interpretar fenômenos com base em conceitos científicos; diferenciar fato científico, hipótese fundamentada e especulação.
  • Ciências Humanas: comparar pessoas, lugares, acontecimentos e conceitos; converter uma informação de um formato para outro; classificar em categorias; explicar causas e efeitos ou pontos de vista com suas próprias palavras.

Repare que o mesmo verbo muda de nível. Em Ciências Humanas, um “explique” de nível 1 só pede que o aluno repita o que memorizou. Um “explique” de nível 2 pede que ele vá além e discuta como ou por que algo aconteceu.

Nível 3: pensamento estratégico

O nível 3 exige raciocinar, planejar e sustentar a resposta com evidências. As situações não são de rotina: numa primeira leitura, não fica evidente o que é preciso fazer para chegar à solução. Muitas vezes há mais de um caminho, e até mais de uma resposta certa, dependendo das premissas adotadas. O documento de Ciências diz que tarefas bem planejadas desse nível tendem a provocar uma luta produtiva: o aluno precisa se debruçar sobre o contexto para descobrir por onde começar.

Uma característica importante: o nível 3 cabe numa única sessão de trabalho. É isso que o separa do nível 4.

  • Matemática: levantar conjecturas; construir um modelo matemático de uma situação considerando suas restrições; criar provas e argumentos e criticar os argumentos de outros; deduzir uma fórmula nova. Reproduzir uma demonstração que o professor já fez é nível 2; demonstrar um teorema nunca visto é nível 3.
  • Leitura: analisar como o propósito do autor afeta a interpretação; avaliar a credibilidade, a lógica interna e os vieses de um texto; comparar com outros textos; considerar o contexto da época em que foi escrito; resumir informações de várias fontes sobre um tema.
  • Ciências: formular perguntas de pesquisa e planejar investigações curtas; avaliar o viés ou a credibilidade de uma afirmação científica num texto; comparar soluções alternativas para um problema de engenharia; tirar conclusões sólidas de dados experimentais; desenvolver uma simulação computacional de um fenômeno.
  • Ciências Humanas: tirar e justificar conclusões com base em evidências; propor e avaliar soluções para problemas; reconhecer e explicar concepções equivocadas; fazer conexões entre épocas e lugares para explicar uma grande ideia.

O nível 3 também depende de quem é o aluno. Para uma criança dos anos iniciais, contar quantas combinações são possíveis ou encontrar o caminho mais curto de casa até a escola pode ser nível 3. Anos depois, com um procedimento aprendido, o mesmo problema pode virar rotina.

Nível 4: pensamento estendido

O nível 4 é pelo menos tão complexo quanto o 3, mas com uma diferença decisiva: o trabalho se estende por dias ou semanas. Esse tempo permite um trabalho original, feito em ciclos de revisão e reflexão, que exige planejamento, pesquisa, verificação e consciência sobre o próprio pensamento (metacognição).

Mas atenção: tempo sozinho não faz uma tarefa virar nível 4. Os documentos de Matemática e de Ciências usam o mesmo exemplo. Medir a temperatura da água de um rio todos os dias durante um mês e depois montar um gráfico é nível 2, porque o trabalho é repetitivo. Criar um modelo matemático da vazão desse rio considerando várias variáveis, ou planejar e conduzir do começo ao fim uma investigação científica de verdade, é nível 4.

  • Matemática: projetos de pesquisa, experimentos, projetos de design; criticar um conjunto de trabalhos; criar um modelo original.
  • Leitura: buscar em vários textos evidências e contrapontos para construir um argumento; criar uma tese original com base em referências; mostrar como temas comuns aparecem em textos de culturas diferentes.
  • Ciências: planejar e realizar uma investigação que responda a perguntas ligadas a problemas reais; planejar, testar e revisar uma solução de engenharia; analisar os resultados de vários estudos para chegar a uma conclusão própria.
  • Ciências Humanas: analisar e sintetizar várias fontes; desenvolver um argumento lógico; examinar perspectivas diferentes; relacionar ideias dentro da área ou entre áreas.

Um recado importante para quem monta provas: segundo os documentos de Ciências e de Estudos Sociais, a maioria das avaliações feitas numa única aplicação não comporta tarefas de nível 4, embora os objetivos de aprendizagem possam esperar esse nível. O lugar dele é a avaliação em sala de aula, em projetos. E uma tarefa de nível 4 costuma reunir trabalho dos níveis 1, 2 e 3 a serviço de um objetivo maior. O documento de Ciências cita a aprendizagem baseada em fenômenos, a aprendizagem baseada em problemas e o modelo 5E como estratégias que apoiam esse caminho.

O que a DOK é, e o que ela não é

O documento introdutório da WebbAlign dedica uma página inteira a desfazer confusões. Segundo ele, a DOK é:

  • uma ferramenta de análise de conteúdo: uma linguagem para diferenciar os níveis de complexidade do engajamento que um material educacional exige do aluno;
  • aplicável a objetivos de aprendizagem, habilidades, tarefas, enunciados e perguntas;
  • uma lente de reflexão que ajuda o professor a agir com intenção: entender com clareza o que cada objetivo pede, fazer avaliações que permitam conclusões razoáveis sobre a aprendizagem e oferecer situações em que os alunos trabalhem no nível de complexidade pretendido.

E a DOK não é:

  • uma medida da complexidade de um texto, fenômeno ou tema (por exemplo, “o quanto a fotossíntese é complexa”);
  • uma rubrica de correção;
  • um protocolo ou uma receita a ser seguida;
  • uma medida de “o quão profundamente” um aluno específico está se envolvendo com a tarefa;
  • uma hierarquia de ensino nem uma progressão de aprendizagem;
  • um juízo de valor. Nenhum nível é “melhor” que outro. Quem define o que é importante são os objetivos de aprendizagem.

Como classificar uma questão: as regras oficiais

Os documentos de Matemática, Leitura e Estudos Sociais terminam com as mesmas orientações gerais. Traduzidas, elas funcionam como um roteiro para analisar qualquer questão:

  1. Vale para tudo: as definições podem ser aplicadas a objetivos de aprendizagem, enunciados, perguntas e tarefas.
  2. Olhe a complexidade, não a dificuldade para os alunos.
  3. Considere o aluno típico: o conhecimento prévio e o que se espera para o ano escolar.
  4. Não se guie pelos verbos (descrever, explicar, avaliar…). Pergunte que tipo de raciocínio é necessário para produzir a resposta certa ou concluir a tarefa.
  5. Deixe de lado o processo de aprendizagem e foque no resultado esperado.
  6. Em questões de múltipla escolha, analise o item inteiro, incluindo os distratores (as alternativas erradas).
  7. Questão confusa não é questão complexa: se o problema é erro ou redação, o item precisa de revisão.

A regra dos verbos merece um exemplo, e o documento de Matemática traz um ótimo. “Descreva os passos que você usou para resolver” (o famoso “mostre seu raciocínio”) é lembrança. Descrever as características de um polígono é definição. Já descrever apresentando um argumento matemático que justifique a solução é mais complexo. O verbo é o mesmo; o raciocínio exigido, não.

Há também uma armadilha comum na hora de revisar provas: a questão que parece nova, mas pede uma resposta decorada. O FAQ de Ciências dá o exemplo de um aluno que recebe o diagrama de uma teia alimentar inédita e precisa dizer de onde vem, em última instância, a energia do alimento de um animal. Como essa energia sempre veio do Sol, a resposta é a mesma em qualquer teia. O contexto é novo, mas o aluno não precisa usar nenhuma das informações apresentadas: é nível 1.

Cinco cuidados para usar a DOK na escola

No documento Using the DOK Framework to Strengthen Instructional Culture, Norman Webb e Sara Christopherson, diretora da WebbAlign, propõem cinco pontos de atenção para construir uma cultura pedagógica forte com a DOK:

  1. Diferencie dificuldade de complexidade. É a base de tudo o que vimos até aqui.
  2. Saiba que a aprendizagem não acontece estritamente do nível mais baixo para o mais alto. O documento de Ciências explica: o aluno pode começar direto por uma tarefa complexa e incorporar as mais simples depois. É possível, por exemplo, planejar uma investigação sobre como o corpo mantém o equilíbrio interno sem antes decorar o nome de cada estrutura envolvida. Tarefas complexas podem até motivar o domínio do nível 1, porque o aluno encontra aquele conteúdo num contexto com sentido.
  3. Separe o processo de aprendizagem do resultado. Classifique pelo que o aluno precisa ser capaz de fazer no fim, não pelo caminho percorrido em aula.
  4. Mantenha a complexidade e ajuste a dificuldade ao apoiar alunos com mais dificuldade.
  5. Garanta que as aulas e as avaliações reflitam as demandas cognitivas previstas nos objetivos de aprendizagem.

Segundo os autores, adotar a DOK em toda a escola dá aos educadores uma linguagem comum para trabalhar pela coerência do ensino e pelo sucesso dos alunos.

Como a DOK entra na rotina da escola

O documento introdutório lista os usos mais comuns. Trazendo para a nossa realidade:

  • Nas reuniões de área e de formação: ler juntos os objetivos de aprendizagem e chegar a um consenso sobre o tipo de raciocínio que cada um exige, esclarecendo interpretações diferentes. Aqui, isso vale para as habilidades da BNCC e do currículo da sua rede.
  • No planejamento: informar a elaboração de planos de aula, sequências didáticas e avaliações formativas e somativas, da sala de aula e da rede.
  • Na escolha de materiais: avaliar e selecionar atividades, livros e itens de avaliação, inclusive os de plataformas que a escola já contratou.
  • Na encomenda de conteúdo: dizer a quem produz questões qual nível se espera de cada item e como os níveis devem se distribuir numa prova.
  • Nas avaliações externas: a DOK é um dos componentes das análises de alinhamento entre as avaliações em larga escala e os objetivos de aprendizagem.

Para começar amanhã, a pergunta-chave vem direto das orientações oficiais: para produzir a resposta certa, que tipo de raciocínio o aluno precisa fazer? Faça essa pergunta item por item na próxima prova, compare com o que o objetivo de aprendizagem pede e veja se as duas coisas batem.

Crie questões com IA por nível DOK no Gobarito

O Gobarito leva a matriz DOK para dentro da criação de questões. No editor de provas, a janela Criar questão com IA tem o campo de nível com as opções Livre, DOK 1, DOK 2, DOK 3 e DOK 4, no lugar do antigo fácil, médio e difícil. Ao escolher um nível, aparece logo abaixo uma explicação curta do que ele cobra.

Por trás da escolha, a IA recebe as mesmas orientações deste guia:

  • o nível é o tipo de raciocínio que o estudante precisa fazer para chegar à resposta, e não a dificuldade, o tamanho do texto ou o verbo do comando;
  • é preciso considerar o que um estudante típico do ano já sabe;
  • enunciado confuso não conta como complexidade, e nas questões objetivas as alternativas também contam para o nível;
  • o que se espera do nível escolhido, com os exemplos oficiais.

Na prática, pedir uma questão DOK 3 não é pedir uma questão “mais difícil”. É pedir uma situação que não é de rotina, em que o estudante precisa raciocinar e justificar com evidências. Se o contexto for novo, mas a resposta for a mesma de sempre, a questão continua sendo DOK 1, e a IA é orientada a evitar essa armadilha.

O DOK 4 aparece só na questão discursiva. Como é trabalho de dias ou semanas, ele vira a proposta de um projeto ou de uma investigação, com o que o estudante deve entregar. Nos outros tipos de questão, a escolha vai de DOK 1 a DOK 3.

Para usar:

  1. abra o editor e, num bloco de questão, clique em Criar questão com IA;
  2. escolha o tipo de questão e o nível DOK;
  3. diga o tema, o ano ou série e o que o estudante deve fazer;
  4. revise a questão na prévia antes de importar para a prova. Pelo botão Revisar prompt, dá para ver exatamente o que vai para a IA.

Abrir o editor e criar uma questão por nível DOK

DOK em Ciências: o caso dos padrões NGSS

Dois dos documentos tratam dos NGSS (Next Generation Science Standards), os padrões de Ciências adotados por vários estados norte-americanos. Mesmo sendo de outro país, eles ajudam a entender como a DOK funciona numa proposta que valoriza investigação e argumentação.

Segundo esses materiais, as expectativas de aprendizagem dos NGSS pedem engajamento nos níveis 2, 3 e 4. O nível 1 não deve ser o alvo das avaliações somativas, mas continua necessário no currículo. O exemplo citado: nenhuma expectativa pede que o aluno “defina um gene”, mas ele precisa conhecer o conceito de gene para mostrar domínio de uma expectativa sobre hereditariedade.

O FAQ responde, nível por nível, a algumas perguntas-chave:

  • A tarefa exige dar sentido a um fenômeno? No nível 1, não: a resposta é decorada ou reproduzida. Do nível 2 em diante, sim, e cada vez de forma mais abstrata e analítica.
  • A tarefa exige usar o conhecimento? No nível 1, o conhecimento aparece isolado. A partir do nível 2, ele é aplicado num contexto, e nos níveis 3 e 4 em situações que podem ser inéditas.
  • A tarefa combina práticas científicas, ideias centrais e conceitos transversais? Essa “dimensionalidade” tem relação com a complexidade, mas é outra coisa e deve ser analisada separadamente. No nível 1, a tarefa costuma separar conteúdo de prática; no nível 4, quase certamente combina as três dimensões.

Os documentos oficiais, um a um

Todo o conteúdo deste guia vem da página de definições da WebbAlign. Os materiais estão em inglês; veja o que cada um traz:

  • DOK Primer (“What is Depth of Knowledge?”, ou “O que é a Profundidade do Conhecimento?”). A introdução em duas páginas: a origem da DOK, a ideia de coerência, os usos mais comuns e o quadro “o que a DOK é e o que não é”.
  • Mathematics DOK Definitions (Definições DOK para Matemática). Os quatro níveis com exemplos detalhados, da Educação Infantil ao Ensino Médio, e as orientações gerais para classificar. Baseado no estudo de alinhamento de Webb de 2002, revisado em 2014 por Webb e Sara Christopherson, com a colaboração de Lynn Raith.
  • Reading DOK Definitions (Definições DOK para Leitura). Os quatro níveis aplicados à leitura, da decodificação à análise de vários textos. As definições se basearam originalmente no trabalho de Valencia e Wixson (2000).
  • DOK: Categories of Cognitive Engagement for Science (Categorias de engajamento cognitivo para Ciências). O documento mais completo: explica a relação com os NGSS, traz listas longas de exemplos por nível e uma bibliografia. Revisado em 2019.
  • Social Studies DOK Definitions (Definições DOK para Estudos Sociais, área que nos Estados Unidos reúne História, Geografia e Educação Cívica). As descrições foram desenvolvidas por Ann Prewitt e Fred Czarra e revisadas em 2014.
  • Using the DOK Framework to Strengthen Instructional Culture (Usar a DOK para fortalecer a cultura pedagógica). Uma página com os cinco pontos de atenção, assinada por Norman Webb e Sara Christopherson.
  • Webb’s DOK as relates to NGSS and Framework-based standards: FAQ (Perguntas frequentes sobre a DOK e os padrões NGSS). Quatro páginas, uma por nível, respondendo às mesmas quatro perguntas sobre cada um.
  • DOK Explained (DOK explicada). Página curta do site com a definição da DOK e o papel da WebbAlign, único grupo que trabalha diretamente com Norman Webb.

A DOK não é uma régua para dar nota aos alunos nem uma escada que todos precisam subir degrau por degrau. É uma linguagem para a escola conversar sobre o que pede aos estudantes e para conferir se o que se ensina e o que se avalia estão à altura do que se espera que eles aprendam. Escolha uma prova recente, aplique as orientações acima item por item e veja o que ela revela. Na próxima questão que criar com IA no Gobarito, escolha o nível DOK que o objetivo de aprendizagem pede.

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